Microapartamentos, flats: são tendencias?

Os microapartamentos tornaram-se tendência mundial e são considerados a nova forma de morar do século 21.
Realidade presente nas grandes metrópoles como Tóquio, Hong Kong e Nova Iorque, esses empreendimentos suprem uma demanda decorrente da escassez de terrenos e da necessidade de adensamento urbano, principalmente nas áreas centrais, evitando o espraiamento da malha urbana.

A grande verdade é que os imóveis estão ficando cada vez menores.
O encolhimento é efeito das mudanças sociais, como a diminuição do núcleo familiar, formado por casais com no máximo dois filhos e aumento no número de pessoas da terceira idade e solteiros morando sozinhos.

O público-alvo são pessoas que preferem abrir mão de morar em um apartamento luxuoso, porém longe do local de trabalho (em média, o paulistano gasta três horas no trânsito), pela conveniência de residir em bairros nobres próximos ao escritório, abastecidos de infraestrutura urbana e com um mix de serviços e comércios diversificados.

Diante das mudanças mercadológicas,  incorporadores desafiam arquitetos a projetarem microapartamentos de 22m² a 32m² (o tamanho de duas vagas fazendo com que cada empreendimento triplique a quantidade de unidades oferecidas.

E isso vem atraindo a atenção dos construtores.

Em Nova York, o prefeito Michael Bloomberg lançou o concurso arquitetônico adAPT, focado em soluções criativas para microapartamentos.

Os projetos vencedores foram expostos no Museu de Nova York, a fim de fomentar a discussão sobre a nova demanda de moradia do século 21.

Porém, a metragem menor das unidades não significa menos conforto.

A falta de espaço pode ser compensada com um bom planejamento e soluções arquitetônicas para otimização da área.

O segredo está no uso de mobiliários multifuncionais, articulados ou dobráveis, que permitem mudanças rápidas no layout dos ambientes. Cada espaço deve ser aproveitado ao máximo e de forma criativa.

Um grande aliado são os armários que devem ser feitos de piso a teto por quase todo o apartamento.

Neles, é possível armazenar todos os móveis, utensílios, materiais de limpeza necessários para o completo funcionamento da casa.

Cabe ressaltar que os microapartamentos investem fortemente na conveniência, com opções va riadas de serviços e lazer, como bicicletário, lavanderia, game lounge, salão de festas, espaço gourmet, home theater, coworking (espaços de trabalho colaborativo) e academia de ginástica.

No Brasil, o conceito de microapartamentos começou a surgir em São Paulo, trazido por multinacionais, e Cuiabá também já conta com muitos empreendimentos do tipo, como o The First, com serviço pay-per-use, e o Luxxor, bem semelhante.

O público-alvo é formado por executivos e estudantes que preferem morar nas regiões centrais, em apartamentos que exigem pouca manutenção e adaptados ao modo de vida contemporâneo.

Os microapartamentos são, também, uma boa opção para aquisição do primeiro imóvel ou para investimento, para aluguel.

Em um modelo de sociedade de consumo insustentável, os microapartamentos são uma solução inovadora. 
By Juan Camara - Arquiteto e Urbanista. Adaptado de Dr. Faz Tudo.